
A norma TIA/EIA-568, hoje chamada oficialmente de ANSI/TIA-568, é o conjunto de padrões que define como projetar, instalar e testar o cabeamento estruturado de edifícios comerciais: tipos de cabo, distâncias máximas, pinagem dos conectores (T568A e T568B) e os testes de certificação. A revisão em vigor é a 568-E, e o equivalente brasileiro é a ABNT NBR 14565.
Neste guia você encontra a tabela de pinagem, os limites de distância, as categorias de cabo, o histórico das revisões, o que mudou na atualização mais recente e um checklist para saber se a sua rede está de acordo com a norma.
Resumo em 30 segundos
- Nome atual: ANSI/TIA-568. O “EIA” ficou só no costume, porque a entidade encerrou as atividades em 2011.
- Revisão vigente: 568-E. A parte de par trançado (568.2-E) foi atualizada em outubro de 2024.
- Distância: até 90 m de cabo fixo + até 10 m de cordões = 100 m de canal.
- Pinagem: T568A ou T568B. Os dois são válidos, desde que não sejam misturados.
- PoE: a 568.2-E recomenda Cat6A ou superior para alimentação elétrica pelo cabo.
- Equivalentes: ABNT NBR 14565 (Brasil) e ISO/IEC 11801 (internacional).
O que é a norma TIA/EIA-568?
A TIA-568 é publicada pela TIA (Telecommunications Industry Association), por meio do comitê TR-42. A primeira edição saiu em 1991 com o nome EIA/TIA-568, numa parceria com a EIA (Electronic Industries Alliance). Como a EIA deixou de existir, o nome oficial passou a ser ANSI/TIA-568, mas o mercado continua chamando de “TIA/EIA-568”.
O objetivo da norma é padronizar o cabeamento de forma independente de fabricante: qualquer equipamento compatível funciona sobre a mesma infraestrutura, e a rede suporta várias gerações de computadores, telefones IP, câmeras e access points sem precisar ser refeita.
Por que seguir a norma
- Desempenho previsível: cada ponto entrega a velocidade prevista para a categoria instalada.
- Compatibilidade: switches, telefones, câmeras e access points de qualquer marca funcionam na mesma rede.
- Manutenção mais rápida: pontos identificados e documentados reduzem o tempo para achar e corrigir falhas.
- Garantia: fabricantes de cabeamento costumam exigir instalação e certificação conforme a norma para conceder garantia estendida do sistema.
- Contratos e licitações: projetos corporativos e públicos frequentemente exigem conformidade com a TIA-568 ou a NBR 14565.
Como a norma é dividida hoje
Desde a revisão C, a TIA-568 é dividida em partes. A estrutura atual é esta:
| Parte | Assunto |
|---|---|
| ANSI/TIA-568.0 | Cabeamento de telecomunicações genérico (requisitos gerais para qualquer tipo de edificação) |
| ANSI/TIA-568.1 | Cabeamento para edifícios comerciais |
| ANSI/TIA-568.2 | Cabeamento e componentes de par trançado balanceado (categorias e testes) |
| ANSI/TIA-568.3 | Cabeamento e componentes de fibra óptica |
| ANSI/TIA-568.4 | Cabeamento coaxial de banda larga |
| ANSI/TIA-568.5 | Cabeamento de par trançado único (single pair) |
A TIA-568 trabalha junto com outras normas da mesma família:
| Norma | O que define |
|---|---|
| TIA-569 | Caminhos e espaços: eletrocalhas, eletrodutos, salas de telecomunicações e racks |
| TIA-606 | Administração e identificação de pontos, cabos, patch panels e racks |
| TIA-607 | Aterramento e vinculação (bonding) da infraestrutura de telecomunicações |
| TIA-942 | Infraestrutura de data centers |
| TIA-1152 | Requisitos de precisão dos equipamentos de teste (certificadores) |
Pinagem T568A x T568B: qual a diferença
A norma define duas sequências de cores para ligar os 8 fios do cabo no conector RJ45 e na tomada. Veja a tabela:
| Pino | T568A | T568B |
|---|---|---|
| 1 | Branco-verde | Branco-laranja |
| 2 | Verde | Laranja |
| 3 | Branco-laranja | Branco-verde |
| 4 | Azul | Azul |
| 5 | Branco-azul | Branco-azul |
| 6 | Laranja | Verde |
| 7 | Branco-marrom | Branco-marrom |
| 8 | Marrom | Marrom |

- A única diferença é a troca dos pares laranja e verde (pinos 1-2 e 3-6). O desempenho elétrico é o mesmo.
- Cabo direto: mesmo padrão nas duas pontas. É o usado em praticamente toda instalação.
- Cabo crossover: T568A numa ponta e T568B na outra. Hoje quase não é necessário, porque placas e switches modernos fazem a inversão automaticamente (Auto-MDIX).
- Regra de ouro: escolha um padrão e use em toda a instalação (tomadas, patch panels e cordões). Misturar T568A e T568B no mesmo enlace gera falha de wiremap na certificação. Em redes existentes, siga o padrão que já está em uso.
Baixe o resumo da TIA-568 em PDF
Tabela de pinagem, distâncias, categorias e checklist de conformidade em 2 páginas, para imprimir ou deixar no rack.
Quero o PDFDistâncias máximas: a regra dos 90 + 10 metros
| Trecho | Limite | O que inclui |
|---|---|---|
| Enlace permanente | 90 m | Cabo horizontal fixo, do patch panel até a tomada da área de trabalho |
| Cordões (patch cords) | 10 m no total | Soma do cordão no rack com o cordão da área de trabalho |
| Canal | 100 m | Caminho completo, do switch até o equipamento do usuário |
Acima desses limites, a atenuação do sinal aumenta e o ponto reprova na certificação por comprimento ou perda de inserção. Para distâncias maiores, como a ligação entre prédios ou andares distantes, o caminho é a fibra óptica.
Enlace permanente x canal: o que é testado
O enlace permanente é a parte fixa da instalação, que fica no prédio: do patch panel até a tomada, sem os cordões. É a configuração normalmente usada na certificação feita pelo instalador, porque mede a qualidade do que foi embutido nas paredes e eletrocalhas.
O canal é o caminho completo, com os cordões definitivos. É testado quando se quer avaliar a ligação real entre o switch e o equipamento, por exemplo para investigar um problema de desempenho.
Categorias de cabo reconhecidas pela norma
| Categoria | Frequência | Velocidade | Distância na velocidade máxima | Uso indicado |
|---|---|---|---|---|
| Cat5e | 100 MHz | 1 Gbps | 100 m | Redes legadas; não recomendada para novos projetos |
| Cat6 | 250 MHz | 1 Gbps (10 Gbps em trechos curtos) | 100 m (10 Gbps até cerca de 55 m) | Escritórios com demanda moderada |
| Cat6A | 500 MHz | 10 Gbps | 100 m | Novos projetos, Wi-Fi 6/7 e PoE de alta potência |
| Cat8 | 2.000 MHz | 25/40 Gbps | 30 m | Data center (servidores e switches) |
Atenção: Cat7 e Cat7A não são reconhecidas pela TIA. Elas existem apenas na norma internacional ISO/IEC 11801 (classes F e FA) e usam conectores diferentes do RJ45. Desconfie de orçamentos que ofereçam “Cat7” para uma rede corporativa comum. Para comparar as duas opções mais usadas, veja Cat6 ou Cat6A: qual escolher.
Histórico de revisões da TIA-568
| Ano | Versão | Destaque |
|---|---|---|
| 1991 | EIA/TIA-568 | Primeira edição |
| 1995 | TIA/EIA-568-A | Consolida os boletins técnicos da época; inclui a Cat5 |
| 2001 | TIA/EIA-568-B | Divide a norma em partes; Cat5e (a Cat6 entra por adendo em 2002) |
| 2009 | TIA-568-C | Cria a parte genérica (568-C.0) e incorpora a Cat6A |
| 2015 a 2018 | ANSI/TIA-568-D | Revisão das partes; a 568.2-D (2018) passa a incluir a Cat8 |
| 2020 | ANSI/TIA-568-E | Revisão atual das partes genérica (568.0) e comercial (568.1) |
| 2024 | ANSI/TIA-568.2-E | Nova versão da parte de par trançado (detalhes abaixo) |
O que mudou na ANSI/TIA-568.2-E (2024)
A revisão E da parte de par trançado foi publicada em outubro de 2024 e trouxe três mudanças práticas:
- PoE (alimentação pelo cabo): um anexo específico recomenda Cat6A ou superior para aplicações com alimentação elétrica, temperatura ambiente máxima de 45 °C e cabos com classificação mínima de 60 °C.
- Desbalanceamento de resistência DC: passou a ser especificado também para Cat5e, Cat6 e Cat6A (antes, só para Cat8). Esse parâmetro afeta diretamente câmeras, access points e telefones alimentados por PoE.
- Testes de Cat8: novos requisitos para os baluns usados nos equipamentos de teste.
Sua rede foi certificada antes de 2024?
Relatórios antigos podem não incluir o desbalanceamento de resistência DC, parâmetro que afeta câmeras, access points e telefones PoE. A Astel Line faz a auditoria e recertificação da sua rede com relatório de conformidade ponto a ponto.
Solicitar avaliação da minha redeCertificação: como provar que a rede atende à norma
A certificação é o teste de cada ponto com um certificador, equipamento cuja precisão é definida pela TIA-1152. O resultado é um relatório com aprovação (PASS) ou reprovação (FAIL) de cada enlace em relação aos limites da categoria. Um testador de continuidade não substitui a certificação: entenda a diferença em testador x certificador.
| Parâmetro | O que mede |
|---|---|
| Wiremap | Continuidade e ordem dos 8 fios: detecta pares invertidos, cruzados ou divididos |
| Comprimento | Se o enlace respeita o limite de 90 m (ou 100 m no canal) |
| Perda de inserção | Quanto o sinal enfraquece ao longo do cabo (atenuação) |
| NEXT e PS NEXT | Interferência entre pares medida na mesma ponta |
| ACR-F (FEXT) | Interferência entre pares medida na ponta oposta |
| Perda de retorno | Sinal refletido por emendas, conectores mal feitos ou cabo deformado |
| Atraso de propagação e skew | Tempo de chegada do sinal e diferença entre os pares |
| Desbalanceamento de resistência DC | Diferença de resistência entre os fios de um par; crítico para PoE |
| Headroom | Margem entre o resultado medido e o limite da norma |
Para interpretar cada campo do documento, veja como ler um relatório de certificação.
TIA-568, NBR 14565 e ISO/IEC 11801: qual seguir?
| Norma | Origem | Onde é mais usada | Observação |
|---|---|---|---|
| ANSI/TIA-568 | EUA (TIA) | Referência de fabricantes e certificadores; muito usada no Brasil | Usa “categorias” (Cat6, Cat6A…) |
| ABNT NBR 14565 | Brasil (ABNT) | Projetos que exigem norma nacional, como editais públicos | Alinhada à ISO/IEC 11801 |
| ISO/IEC 11801 | Internacional | Europa e projetos de empresas multinacionais | Usa “classes” para o canal (D, E, EA…) |
Na prática, as três são compatíveis: os requisitos de desempenho são muito próximos, e os certificadores permitem testar por qualquer uma delas. O importante é definir no projeto qual norma será usada como referência na certificação.
Checklist: sua rede está de acordo com a norma?
- Os pontos estão identificados nas tomadas e no patch panel (TIA-606)?
- Existe relatório de certificação de todos os pontos?
- Todos os cabos horizontais têm até 90 m?
- A instalação usa um único padrão de pinagem (T568A ou T568B)?
- O rack está organizado, com cordões de comprimento adequado?
- Câmeras e access points PoE usam cabo Cat6 ou, de preferência, Cat6A?
- A rede foi certificada depois da publicação da 568.2-E (outubro de 2024)?
Não soube responder a duas ou mais perguntas?
Agende uma vistoria técnica. Avaliamos a infraestrutura, testamos os pontos e entregamos um relatório com o que está conforme e o que precisa ser corrigido.
Agendar vistoria pelo WhatsAppErros comuns ao aplicar a TIA-568
- Misturar T568A e T568B na mesma instalação.
- Destrançar demais os pares na terminação: o limite é de 13 mm para Cat5e e superiores.
- Dobrar o cabo além do raio mínimo: 4 vezes o diâmetro do cabo UTP horizontal.
- Apertar demais as abraçadeiras: deforma o cabo e piora a perda de retorno. Prefira velcro.
- Fazer emendas no cabo horizontal: a norma não permite.
- Passar cabos de dados junto com cabos elétricos sem a separação adequada.
- Chamar teste de continuidade de certificação: só o certificador comprova o desempenho da categoria.
Muitos desses erros só aparecem meses depois, como lentidão ou quedas intermitentes. Veja outros exemplos em erros invisíveis no cabeamento estruturado.
Perguntas frequentes sobre a norma TIA/EIA-568
A norma TIA/EIA-568 ainda existe?
Sim. Hoje ela se chama ANSI/TIA-568 e está na revisão E. O “EIA” saiu do nome porque a Electronic Industries Alliance encerrou as atividades em 2011.
Qual a diferença entre T568A e T568B?
Apenas a posição dos pares laranja e verde, que trocam de lugar nos pinos 1, 2, 3 e 6. O desempenho é idêntico.
Qual padrão devo usar, T568A ou T568B?
Qualquer um dos dois, desde que seja o mesmo em toda a instalação. Em redes existentes, siga o padrão já utilizado para não misturar.
Qual é a distância máxima de um cabo de rede?
90 metros de cabo horizontal fixo, mais até 10 metros de cordões, totalizando 100 metros de canal.
A Cat7 é reconhecida pela TIA-568?
Não. A TIA reconhece Cat5e, Cat6, Cat6A e Cat8. A Cat7 existe apenas na ISO/IEC 11801.
Qual é a norma brasileira de cabeamento estruturado?
A ABNT NBR 14565, alinhada à norma internacional ISO/IEC 11801.
A certificação garante que toda a rede está conforme a norma?
A certificação comprova o desempenho de cada enlace testado. A conformidade completa também envolve caminhos e espaços (TIA-569), identificação (TIA-606), aterramento (TIA-607) e documentação.
Vale a pena seguir a norma em projetos pequenos?
Sim. O custo de fazer certo desde o início é pequeno perto do custo de refazer pontos, parar a operação ou investigar falhas intermitentes depois.
Precisa certificar ou adequar sua rede à TIA-568?
A Astel Line Telecom atua desde 1996 e projeta, instala, identifica e certifica cabeamento estruturado em São Paulo e região, com relatório de certificação de cada ponto. Conheça nosso serviço de cabeamento estruturado em São Paulo.
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